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sábado, 9 de junho de 2018
Título original: Casa-Grande & Senzala Em Quadrinhos
Autor: Gilberto Freyre
Adaptação Estêvão Pinto
Ilustração de Ivan Wasth Rodrigues
Colorização de Noguchi
Editora: Global
Ano: 2005
Comprar: Nos seguintes sites: Amazon, Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha


Resenha:

Já faz alguns anos que tenho curiosidade muito grande sobre a obra de Gilberto Freyre, mas por motivos inexplicáveis nunca tive oportunidade de ler o clássico da literatura brasileira "Casa-Grande & Senzala."  Mas para minha alegria, semana passada estava na biblioteca xeretando quando vi a capa do livro em quadrinhos não tive dúvidas o peguei trouxe pra casa.

É óbvio que ainda preciso ler original, mas agora já tenho uma ideia do que se trata. Na realidade o autor aborda as contribuições que os portugueses, os índios e os africanos deram para o processo de formação social e cultural do povo brasileiro. É simplesmente fascinante a forma que Gilberto Freyre encontro para nos explicar as contribuições desses dessas três etnias tão diferente e que aqui no Brasil se complementam.

Além do mais, as ilustrações e suas cores são maravilhosas, ricamente cheias de detalhes. Estou completamente apaixonada pelos quadrinhos.

Não posso deixar de citar algo que me surpreendeu, fiquei totalmente chocada quando o autor destaca que: "…alguns traços da civilização mouramorisca que se instalaram entre nós através do colonizador português."

RECOMENDADÍSSIMO!!!



Contra Capa:

A famosa obra de Gilberto Freyre em história em quadrinhos. É um apanhado de fatos e costumes dos povos que formaram a nação brasileira, desde os primórdios da colonização pelos portugueses, em 1532, até a época da escravidão dos negros, passando pela formação da sociedade, alicerçada na miscigenação das raças e mostrando como cada uma delas influiu na cultura do país.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Título: O Pêndulo da Noite
Autor: Marcos Rey
Editora: Global
Ano: 2005
Comprar: Nos seguintes sites: Amazon, Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura, Livraria Folha


Resenha:

Este livro nos apresenta 6 contos de um realismo crítico. Marca registrada do maravilhoso e genial Marcos Rey. O autor nos presenteia com estórias urbanas, onde os personagens podem até tentar fantasiar a realidade, mas no final está se instala de forma visceral.

Vamos aos contos:


Mustang cor-de-sangue
Para Antônio Ghigonetto
O escriba tenta de todas as formas passar a perna no seu amado chefinho, mas como diz o ditado: alegria de pobre dura pouco. Nunca se deve desmerecer aquele que te proporciona estabilidade e um teto. Só podia dar em confusão.

O dicionarista
Para Egídio Ecio
Coitado do JB, alguém deveria ter lhe dado alguns conselhos, principalmente, que nunca se deve contar para uma mulher inteligente suas maiores preocupações. Porque esta vai querer solucionar todos os teu problemas. E outra coisa, às vezes o que mais se deseja está no quarto da empregada.

Eu e meu fusca
Para Edwaldo Pacote
Nossa, estou supresa, fiquei tão atenta a estória do fusca, que não percebi os nuances, o que se passava nas estrelinhas, marquei bobeira. A perversão e o crime estão em todos os lugares, as pessoas são capazes de tudo para se divertir de forma bizarra.

Venha, mas venha com Kelene
Para Porfírio Carneiro
Tudo é fugaz. Os artistas são de uma sensibilidade à flor da pele, necessitam de qualquer novidade para distraí-los ou para inspirá-los. A aura de glamour faz com que as pessoas comuns perdão o bom senso e a noção da realidade.

O bolha
Para Deivi Rose Alves e Sebastião Campos
Só poderia ser um bolha, não deveria ter caído naquela conversa mole, qualquer um com o mínimo de esperteza teria percebido qual era o verdadeiro objetivo daquela estranha turminha. O pior é que ele ficou contente de ser enganado, feito de trouxa, só porque beijou a mulher do safado se sentiu vingado, e acreditou que o safado tenha ficado com ciúmes. Há tanta gente doida, Senhor do Céu!!!

O cão da meia-noite
Para Virgínia Ebony Spots
um ser humano da família dos dálmatas
Meu Deus!!! Que jornalista mais solitário e obsessivo. Ficou óbvio que a estória se encaminhava para um final do gênero, mas esperava algo mais comum, sem tanto drama e planejamento. Que jornalista maluquete.



Contra Capa:

As histórias de "O pêndulo da noite" caminham a um passo do pitoresco, sem, contudo, perderem a marca profunda do realismo crítico de Marcos Rey.

Este livro contém em si a essência da sociedade que se encontra por trás de aparentes aventuras e desventuras urbanas: a brutalidade das engrenagens sociais, o descontentamento profissional, a solidão coletiva e irremediável, a subvida em apartamentos minúsculos, a dor indefinível que caracteriza as relações humanas - e o ser humano, lutando com unhas e dentes, tentando sobreviver à passagem dos minutos, das horas, de sua existência obscura.



Sinopse:

"Este livro, O pêndulo da noite, contém em si uma essência de representação da própria sociedade que está por detrás dessas aparentes aventuras e desventuras urbanas: a brutalidade da máquina engolindo o homem no massacre da cidade grande; o permanente descontentamento diante da vida que acompanha escribas e fariseus, ajustados e desajustados, pacatos e espertos, moradores de pensões pobres e solitários em minúsculos apartamentos e caixotins humanos, assaltantes e assaltados; a solidão coletiva, burlesca e irremediável; a dor indefinível, arisca e contínua que vergasta e caracteriza este formigueiro atual, também chamado civilização de quarto-e-sala - a nossa subvida de quitinete, neurotizante e insuportável até para cães, gatos, papagaios e animais domésticos outros.

O pêndulo da noite, apesar de todo o fascínio e de tramas perduráveis na mente do leitor, tem a força de uma denúncia. É um livro que não se estabelecerá no seu lugar de destaque graças a um bom comportamento.

Antes chegará a ele aos trompaços, sócios e pontapés, exatamente como as coisas estão acontecendo no mundo urbano brasileiro, neste formigueiro humano onde os homens se ralam dolorosa e assanhadamente, na luta pela sobrevivência.

João Antônio 

sexta-feira, 24 de abril de 2015
Título: O Enterro da Cafetina
Autor: Marcos Rey
Editora: Global
Ano: 2005
Comprar: Nos seguintes sites: Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha


Resenha:

Sou tão fã de Marcos Rey que as vezes fico receosa ao escrever sobre seus livros, parece que estou abusando ou que não tenho argumentos suficiente para descrever-los como deveria. Então, me perdoe. Mesmo com esse sentimento de insegurança, não posso deixar de escrever minhas humildes observações. Ainda mais porque os livros estão aí para serem lidos, e assim poderemos homenagear este grande escritor.

Em "O Enterro da Cafetina" vamos encontrar mais uma vez com aqueles personagens noturnos, boêmios e profissionais, mesmo que este último esteja a um passo da "marginalidade" cultural.

São 7 contos, vamos a eles:

Traje de Rigor
Para Sílvio Donato
Não sei o que pensar, tudo parecia ir tão bem, apesar das confusões noturnas. Mas no início da manhã tudo pareceu perder a fantasia e a loucura. A realidade por mais estupida os pegam totalmente desprevenidos. Infelizmente foi fatal.

Mon Gigolô
Para João Antonio
Nunca se pode esperar muito de um gigolô, ainda mais quando este se apaixona é extremamente divertido. Principalmente porque seu ciúme não faz o menor sentido.

O Enterro da Cafetina 
Para Franco Paulino
Não há dúvida que foi o velório e o enterro mais engraçado e diferente que já aconteceu na Pauliceia Desvairada. Havia tanta gente, todos do submundo paulistano estão lá, os grandes artistas do teatro, rádio e da iniciante TV também, jornalistas e políticos apareceram para dar o seu último adeus a mais conhecida cafetina de São Paulo, foi uma festa ironicamente.

Sonata ao Luar
Para Epaminondas Costalima
Otávio, publicitário, solteirão, um verdadeiro Lobo. Um homem com muita imaginação. Seu novo deleite é observar uma garota que passa todos os dias no mesmo horário enfrente a sua janela. Ele fica imaginando quem ela é e o que faz. E acaba acreditando nas próprias sandices, o problema é que não passa de ilusão, pois a realidade é completamente diferente.

O Guerrilheiro
Para Frederico Aflalo
Não se deve misturar ideais políticos com uma paixão totalmente desmedida e ilusória. Mariano é um guerrilheiro, mas sua paixão pela prostituta Marlene o deixa extremamente vulnerável para participar das missões. Obviamente só pode dar em muitas confusões.

O Casarão Amarelo
Para um tal de Frank
Fico aqui pensando como o autor é capaz de inventar histórias mais loucas e hilárias. Mas que rapaz ciumento e obsessivo. E ao mesmo tempo extremamente criativo, um verdadeiro maluco.

Noites de Pêndulo
- Diário de um ébrio em dias de inflação, crise, lágrimas e convulsão social.
Para Oswaldo Teixeira de Carvalho
Há homens que não se enxergam, não podem ver um garota bonita e se derretem. Mesmo que essa garota tenha idade para ser sua filha ou até mesmo neta. Depois ficam ofendidos quando a menina o trata como um pai. Tem cabimento?

RECOMENDADÍSSIMO!!!



Contra Capa:

Marcos Rey escreveu uma obra que, como poucas, apresenta um retrato despojado mas crítico da sociedade paulistana. Ele a divide em duas partes desiguais: uma é a dos que estão no centro; a outra é a dos que estão na margem.

Em O enterro da cafetina, em um cenário onde se mistura o culto ao dinheiro, a frieza das relações humanas e o isolamento social, seus personagens são os "marginais", ou seja, são aqueles a quem se proíbe a realização dos sonhos e de sobrevivência digna, seres que vagam quase sempre à noite, mariposas noturnas, condenados a viver aprisionados "ad aeternum" na sua dança em busca da luz.



Sinopse:

"São histórias noturnas, vividas por pessoas pouco amantes do sol e do ar puro. Parece coisa provada que o sol, além de causar perigosas queimaduras na pele, torna as pessoas preguiçosas e irritadiças. Vejam vocês os boêmios. São criaturas de boa índole, mentalmente mais ativas e, talvez porque não tomem sol, resistem melhor ao álcool e ao sono. Se o sol de fato fizesse tanto bem, como apregoam certos médicos apressados, a África seria o centro da civilização e estaria coberta de chaminés. Quanto ao ar puro, posso informar que as boates substituem-no com êxito pelo aparelho de ar condicionado, quase todos de excelente fabricação norte-americana. Alguns injetam no ambiente essências odoríficas, o que estimula o romance quando um piano saudosista colabora com " Lá vir en rose".

Os personagens deste livro, como foi dito, são de circulação noturna. Por favor, não os confundam com guardas-noturnos. Esses são profissionais e todos eles odeiam a noite. Não são também pessoas que sofrem de insônia, sempre às voltas com suas pílulas. Quero que fique bem claro: são homens e mulheres que param nos bares, restaurantes, 'inferninhos', cabarés, boates e em certas casas onde tudo se tolera. São boêmios por vocação ou por erro de educação, por dor de cotovelo ou qualquer dor, por falta dinheiro ou por excesso, por vagabundagem ou paixão à sociologia. 

O antipático astro-rei se ocultou. Comecemos."
Marcos Rey 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Título: Soy Loco Por Ti, América!
Autor: Marcos Rey
Apresentação João Antônio 
Editora: Global 
Ano: 2005
Comprar: Nos seguintes sites: Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha


Resenha:

São sete contos que Marcos Rey coloca todo seu estilo, todo os seus marginais e seus particulares. E cada conto é dedicado a alguém, vamos aos contos:

A enguia
Para Walter George Durst

O crime perfeito, durante anos sem que ninguém desconfiasse. Até que o marginal tenta expressar sua bondade, sua solidariedade. Como diz o ditado: ...quando a esmola é demais o santo desconfia.


O locutor da madrugada
Para Beatriz Camargo Rocha Correa 

Mulher que sempre está sozinha e frustrada, sempre faz loucuras, sem medir as consequências. O problema é quando ela fica imaginando, sonhando. Mas quando dá de frente com a realidade, percebe que o sonho é mil vezes melhor.


O bar dos cento e tantos dias
Para Jair Bittencourt

O bar dos desocupados e desempregados. São todos amigos quando estão na pior, precisando de ajuda, mas quando um deles sai da lama, este esquece completamente os pobres coitados que ficaram no bar.


A escalação 
Para Lenita Miranda de Figueiredo

Nojento. Simplesmente não tenho estômago para um grupo de pseudo-intelectuais, que fazem qualquer coisa para ficar diante dos holofotes, pra serem as celebridades da vez. 


O adhemarista 
Para Pedro Berilacqua

Os fanáticos são um perigo constante para humanidade. Pior quando estes estão ligados à política. Fico escandalizada como essas pessoas perdem o bom senso, a noção da realidade, a cabeça e a razão.


Primeira epístola aos difamadores
Para Paulo Bento Nogueira

Amigo traidor, safado! Mas o pior de tudo é a covardia da pessoa, como consegue? Não consegue enxergar seus erros, acredita que tudo que faz é com boas intenções. Como diz o ditado: ...de boas intenções o inferno está cheio.

Soy loco por ti, América!
Com música de Gilberto Gil, 
interpretada por Caetano Veloso

Uma festa, com muito álcool e éter, só poderia dar numa série de conflitos. Como diz o autor: ...conflitos orais e musculares, oriundos de choques e entrechoques de idéias ou consequências de antigas ou instantâneas antipatias...



Contra Capa:

Retratista da cidade de São Paulo e de toda uma época, Marcos Rey registra em sua obra os elementos humanos e culturais que moldam o próprio país.

Em Soy loco por ti, América! Ele resgata personagens de um tempo que estava chegando ao fim e exercita o humor, que diz ter aprendido com Machado de Assis: "Todo drama tem de ter uma boa dose de humor, a melhor forma de apresentar uma crítica".

São sete contos em que o autor, com seu estilo vigoroso, nos apresenta um quadro sem retoques da sobrevivência humana: "dessa máquina de moer gente ninguém sairá inteiro".



Sinopse:

"(...) Nas sete histórias de Soy loco por ti, America!, a temática é o capitalismo selvagem de nossas grandes capitais. E que não deram certo - sujeitas a um 'desenvolvimento' forçado, apressado e imediatista, sem nenhum tempo de defasagem e, muito menos, de preparação humana. O caleidoscópio de Marcos Rey reflete uma feira de ilusões, e necessidades, atropelada pelo ritmo de seus problemas. Logo, insuportável e neurotizante: dessa máquina de moer gente ninguém sairá inteiro, sejam falsários, radialistas da madrugada, esposas mal-amadas, publicitários ou escribas mambembes, atores, atrizes e diretores, cabos eleitorais ou motoristas de táxi, prostitutas ou cafetinas, ricos, pobres, dependentes e pingentes urbanos e até os alegres rapazes e menininhas em flor pré-64, da lamentável esquerda-festiva-etílico-lítero-perfumada-musical. Uma qualidade apreciável acompanha esse conteúdo fecundo - despojamento completo. Sequer há truncarem ou golpes de estilo e pesar de que, Marcos Rey, sustenta-se como um dos autores de maior fabulação entre os que escrevem sobre sobrevivência urbana nos dias que correm."

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