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quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Título: O Pêndulo da Noite
Autor: Marcos Rey
Editora: Global
Ano: 2005
Comprar: Nos seguintes sites: Amazon, Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura, Livraria Folha


Resenha:

Este livro nos apresenta 6 contos de um realismo crítico. Marca registrada do maravilhoso e genial Marcos Rey. O autor nos presenteia com estórias urbanas, onde os personagens podem até tentar fantasiar a realidade, mas no final está se instala de forma visceral.

Vamos aos contos:


Mustang cor-de-sangue
Para Antônio Ghigonetto
O escriba tenta de todas as formas passar a perna no seu amado chefinho, mas como diz o ditado: alegria de pobre dura pouco. Nunca se deve desmerecer aquele que te proporciona estabilidade e um teto. Só podia dar em confusão.

O dicionarista
Para Egídio Ecio
Coitado do JB, alguém deveria ter lhe dado alguns conselhos, principalmente, que nunca se deve contar para uma mulher inteligente suas maiores preocupações. Porque esta vai querer solucionar todos os teu problemas. E outra coisa, às vezes o que mais se deseja está no quarto da empregada.

Eu e meu fusca
Para Edwaldo Pacote
Nossa, estou supresa, fiquei tão atenta a estória do fusca, que não percebi os nuances, o que se passava nas estrelinhas, marquei bobeira. A perversão e o crime estão em todos os lugares, as pessoas são capazes de tudo para se divertir de forma bizarra.

Venha, mas venha com Kelene
Para Porfírio Carneiro
Tudo é fugaz. Os artistas são de uma sensibilidade à flor da pele, necessitam de qualquer novidade para distraí-los ou para inspirá-los. A aura de glamour faz com que as pessoas comuns perdão o bom senso e a noção da realidade.

O bolha
Para Deivi Rose Alves e Sebastião Campos
Só poderia ser um bolha, não deveria ter caído naquela conversa mole, qualquer um com o mínimo de esperteza teria percebido qual era o verdadeiro objetivo daquela estranha turminha. O pior é que ele ficou contente de ser enganado, feito de trouxa, só porque beijou a mulher do safado se sentiu vingado, e acreditou que o safado tenha ficado com ciúmes. Há tanta gente doida, Senhor do Céu!!!

O cão da meia-noite
Para Virgínia Ebony Spots
um ser humano da família dos dálmatas
Meu Deus!!! Que jornalista mais solitário e obsessivo. Ficou óbvio que a estória se encaminhava para um final do gênero, mas esperava algo mais comum, sem tanto drama e planejamento. Que jornalista maluquete.



Contra Capa:

As histórias de "O pêndulo da noite" caminham a um passo do pitoresco, sem, contudo, perderem a marca profunda do realismo crítico de Marcos Rey.

Este livro contém em si a essência da sociedade que se encontra por trás de aparentes aventuras e desventuras urbanas: a brutalidade das engrenagens sociais, o descontentamento profissional, a solidão coletiva e irremediável, a subvida em apartamentos minúsculos, a dor indefinível que caracteriza as relações humanas - e o ser humano, lutando com unhas e dentes, tentando sobreviver à passagem dos minutos, das horas, de sua existência obscura.



Sinopse:

"Este livro, O pêndulo da noite, contém em si uma essência de representação da própria sociedade que está por detrás dessas aparentes aventuras e desventuras urbanas: a brutalidade da máquina engolindo o homem no massacre da cidade grande; o permanente descontentamento diante da vida que acompanha escribas e fariseus, ajustados e desajustados, pacatos e espertos, moradores de pensões pobres e solitários em minúsculos apartamentos e caixotins humanos, assaltantes e assaltados; a solidão coletiva, burlesca e irremediável; a dor indefinível, arisca e contínua que vergasta e caracteriza este formigueiro atual, também chamado civilização de quarto-e-sala - a nossa subvida de quitinete, neurotizante e insuportável até para cães, gatos, papagaios e animais domésticos outros.

O pêndulo da noite, apesar de todo o fascínio e de tramas perduráveis na mente do leitor, tem a força de uma denúncia. É um livro que não se estabelecerá no seu lugar de destaque graças a um bom comportamento.

Antes chegará a ele aos trompaços, sócios e pontapés, exatamente como as coisas estão acontecendo no mundo urbano brasileiro, neste formigueiro humano onde os homens se ralam dolorosa e assanhadamente, na luta pela sobrevivência.

João Antônio 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Título: O Último Mamífero do Martinelli
Autor: Marcos Rey
Editora: Ática
Ano: 1993
Comprar: Nos seguintes sites: Amazon, Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura, Livraria Folha 


Resenha:

A resenha é para aqueles que não conhecem os livros adultos de Marcos Rey. Minha geração aprendeu a ter gosto pela literatura com seus livros infanto-juvenil, principalmente com os de mistério e ação.

Marcos Rey marcou a vida de uma geração que através de seus livros vibrantes e instigantes. Em O Último Mamífero do Martinelli não é diferente, você começa a ler e continua, continua querendo chegar na próxima página para saber o que vai acontecer. É viciante.

Normalmente, seus personagens não são convencionais, pelo contrário, tem quase um pé na marginalidade, são boêmios e estão impregnados desta Metrópole, que se ama e se odeia ao mesmo tempo. A cidade de São Paulo (como Marcos Rey sabe como ninguém) não é para ser compreendida e sim aceita como ela é de pedra e concreto.

Neste romance o autor nos surpreende com um personagem solitário e imaginativo. Um homem perseguido, que encontra refúgio no primeiro arranha-céu de São Paulo. O edifício Martinelli vai abrigar toda a paranóia e realidade do personagem sem nome e sem destino.

RECOMENDADÍSSIMO!!!



Contra Capa:

Procurado pela polícia, por contestar o governo militar, aquele homem solitário encontra refúgio no edifício Martinelli, primeiro arranha-céu de São Paulo, então fechado para uma reforma completa.

No isolamento do antigo edifício, entre os vários objetos que encontra - máquina de escrever, placas de velhos estabelecimentos, um bilhete cujo destinatário se perdeu - parece descobrir uma porta para o passado. A partir daí, quem pode dizer qual o limite entre imaginação e realidade? 

Em O último mamífero do Martinelli, Marcos Rey, um mestre na narrativa de ação e mistério, cria uma história envolvente em que o Tempo revela seus intrigantes paradoxos.

sexta-feira, 22 de maio de 2015
Título: Ópera de Sabão 
Autor: Marcos Rey
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2003
Comprar: Nos seguintes sites: Livraria Saraiva e Livraria Folha


Resenha:

O que dizer desta obra espetacular do maravilhoso e genial Marcos Rey? Que não é uma novela ou folhetim convencional. Que com seu humor e perspicácia o autor desconstrói as estruturas de um bom dramalhão mexicano. Que na realidade ele constrói uma comédia inteligente. Sim, Ópera de Sabão é uma comédia que nos faz pensar.

Só por curiosidade, o título é uma brincadeira, "Ópera de Sabão" é a tradução literal de "Soap Óperas", programas americanos de rádio que na época eram patrocinados por marcas de sabão e sabonete. Quando digo época leiam década de 50.

Imagine nesta década de 50, os valores morais e educacionais eram outros. A televisão apenas dava seus primeiros passos e as rádios ainda davam o que falar. E para nos situar ainda mais no período e no tempo, temos o suicídio de Getúlio Vargas, presidente da república. Esta morte é o estopim para toda trama deste "novelão".

Vamos à história, então, temos uma família típica da época, o pai em seu desatino pela morte de Getúlio, se nomeia o próprio vingador do presidente, e diz que vai para o Rio de Janeiro matar Carlos Lacerda. A mãe apresenta um programa de rádio, onde dá conselhos de boas maneiras e conduta, uma mulher totalmente apegada aos valores morais, pelo menos no seu programa.

Os rapazes, 2 filhos, figuras totalmente patéticas que oscilam entre o sexo e a vingança do pai. Já a filha, uma menina-mulher, se rebela, já não tem os mesmos sonhos das moças de sua época, ela quer mais, quer dinheiro e ascensão social.

É assim, sem amor, mas com muito dinheiro que a família e o Brasil se transformam. O país deixa de ser agrícola, para se emparelhar com os países desenvolvidos, com a febre das siderúrgicas e das máquinas. Já a família deixa de ser classe média para viver como os novos ricos.

RECOMENDADÍSSIMO!!!



Contra Capa:

O Brasil que está aqui dentro é principalmente o dos anos 50. O humor e as emoções, da primeira linha à última, são universais, embora tragam a marca do talento farsesco de Marcos Rey. A trilha sonora em geral são boleros e baiões, ouvidos no rádio ou nas boates da moda. Os personagens, moldados na melhor tradição picaresca urbana, se não são jovens curiosos por sexo e ávidos por ascensão social, são gente mais velha às voltas com suas derradeiras e envolventes peripécias na vida ativa.

Mas, calma: tem também uma cantora de bolero, voluptuosamente fatal e uruguaia, uma senhora gorducha e sensual que se compraz em tocar no piano saltitantes chorinhos de Ernesto Nazareth para o amante, uma decadente conselheira de programa radiofônico em plena crise moral, uma tola senhorita que se deixa levar por um galã de bairro a um terreno baldio para apreciar o luar... 
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Título: O Enterro da Cafetina
Autor: Marcos Rey
Editora: Global
Ano: 2005
Comprar: Nos seguintes sites: Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha


Resenha:

Sou tão fã de Marcos Rey que as vezes fico receosa ao escrever sobre seus livros, parece que estou abusando ou que não tenho argumentos suficiente para descrever-los como deveria. Então, me perdoe. Mesmo com esse sentimento de insegurança, não posso deixar de escrever minhas humildes observações. Ainda mais porque os livros estão aí para serem lidos, e assim poderemos homenagear este grande escritor.

Em "O Enterro da Cafetina" vamos encontrar mais uma vez com aqueles personagens noturnos, boêmios e profissionais, mesmo que este último esteja a um passo da "marginalidade" cultural.

São 7 contos, vamos a eles:

Traje de Rigor
Para Sílvio Donato
Não sei o que pensar, tudo parecia ir tão bem, apesar das confusões noturnas. Mas no início da manhã tudo pareceu perder a fantasia e a loucura. A realidade por mais estupida os pegam totalmente desprevenidos. Infelizmente foi fatal.

Mon Gigolô
Para João Antonio
Nunca se pode esperar muito de um gigolô, ainda mais quando este se apaixona é extremamente divertido. Principalmente porque seu ciúme não faz o menor sentido.

O Enterro da Cafetina 
Para Franco Paulino
Não há dúvida que foi o velório e o enterro mais engraçado e diferente que já aconteceu na Pauliceia Desvairada. Havia tanta gente, todos do submundo paulistano estão lá, os grandes artistas do teatro, rádio e da iniciante TV também, jornalistas e políticos apareceram para dar o seu último adeus a mais conhecida cafetina de São Paulo, foi uma festa ironicamente.

Sonata ao Luar
Para Epaminondas Costalima
Otávio, publicitário, solteirão, um verdadeiro Lobo. Um homem com muita imaginação. Seu novo deleite é observar uma garota que passa todos os dias no mesmo horário enfrente a sua janela. Ele fica imaginando quem ela é e o que faz. E acaba acreditando nas próprias sandices, o problema é que não passa de ilusão, pois a realidade é completamente diferente.

O Guerrilheiro
Para Frederico Aflalo
Não se deve misturar ideais políticos com uma paixão totalmente desmedida e ilusória. Mariano é um guerrilheiro, mas sua paixão pela prostituta Marlene o deixa extremamente vulnerável para participar das missões. Obviamente só pode dar em muitas confusões.

O Casarão Amarelo
Para um tal de Frank
Fico aqui pensando como o autor é capaz de inventar histórias mais loucas e hilárias. Mas que rapaz ciumento e obsessivo. E ao mesmo tempo extremamente criativo, um verdadeiro maluco.

Noites de Pêndulo
- Diário de um ébrio em dias de inflação, crise, lágrimas e convulsão social.
Para Oswaldo Teixeira de Carvalho
Há homens que não se enxergam, não podem ver um garota bonita e se derretem. Mesmo que essa garota tenha idade para ser sua filha ou até mesmo neta. Depois ficam ofendidos quando a menina o trata como um pai. Tem cabimento?

RECOMENDADÍSSIMO!!!



Contra Capa:

Marcos Rey escreveu uma obra que, como poucas, apresenta um retrato despojado mas crítico da sociedade paulistana. Ele a divide em duas partes desiguais: uma é a dos que estão no centro; a outra é a dos que estão na margem.

Em O enterro da cafetina, em um cenário onde se mistura o culto ao dinheiro, a frieza das relações humanas e o isolamento social, seus personagens são os "marginais", ou seja, são aqueles a quem se proíbe a realização dos sonhos e de sobrevivência digna, seres que vagam quase sempre à noite, mariposas noturnas, condenados a viver aprisionados "ad aeternum" na sua dança em busca da luz.



Sinopse:

"São histórias noturnas, vividas por pessoas pouco amantes do sol e do ar puro. Parece coisa provada que o sol, além de causar perigosas queimaduras na pele, torna as pessoas preguiçosas e irritadiças. Vejam vocês os boêmios. São criaturas de boa índole, mentalmente mais ativas e, talvez porque não tomem sol, resistem melhor ao álcool e ao sono. Se o sol de fato fizesse tanto bem, como apregoam certos médicos apressados, a África seria o centro da civilização e estaria coberta de chaminés. Quanto ao ar puro, posso informar que as boates substituem-no com êxito pelo aparelho de ar condicionado, quase todos de excelente fabricação norte-americana. Alguns injetam no ambiente essências odoríficas, o que estimula o romance quando um piano saudosista colabora com " Lá vir en rose".

Os personagens deste livro, como foi dito, são de circulação noturna. Por favor, não os confundam com guardas-noturnos. Esses são profissionais e todos eles odeiam a noite. Não são também pessoas que sofrem de insônia, sempre às voltas com suas pílulas. Quero que fique bem claro: são homens e mulheres que param nos bares, restaurantes, 'inferninhos', cabarés, boates e em certas casas onde tudo se tolera. São boêmios por vocação ou por erro de educação, por dor de cotovelo ou qualquer dor, por falta dinheiro ou por excesso, por vagabundagem ou paixão à sociologia. 

O antipático astro-rei se ocultou. Comecemos."
Marcos Rey 

sábado, 4 de abril de 2015
Título: A Arca dos Marechais 
Autor: Marcos Rey
Editora: Ática 
Ano: 1983
Comprar: Nos seguintes sites: Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha 


Resenha:

Emerich, uma pessoa acima de qualquer suspeita, funcionário publico, trabalha no Aquário Público da cidade, odeia o emprego, obvio. Também tem aversão as crianças das escolas de São Paulo, que visitam o aquário durante a semana.  

O livro é narrado em primeira pessoa, então Emerich é o narrador desta história. Recebe de herança do tio, uma máquina de fazer dinheiro. É neste momento que sua vida muda completamente, pois ele faz uso da máquina.

E com uma soma muito grande de dinheiro falsificado, nosso narrador tenta passar o “dinheiro” pra frente, de forma segura e discreta. É claro, neurótico como só ele poderia ser, acaba criando situações interessantíssimas. 

Ele tem tanto medo de ser pego pela polícia, que cria vários personagens, tenta não deixar rastro, provas e não cria vínculo com ninguém, para não ser reconhecido. E a paranóia só cresce durante os anos.

RECOMENDADÍSSIMO!!!



Contra Capa:

Poder realizar todas as fantasias e desejos imaginados. Viver como uma pessoa rica, frequentando lugares luxuosos e conhecendo terras exóticas, sem obrigações. Quem já não pensou nisso? Desta ambição de tantos, o renomado escritor Marcos Rey criou A Arca dos marechais: um romance inteligente e cheio de humor, sobre o homem comum e sua metamorfose quando o sonho da riqueza se torna uma perigosa realidade.



Sinopse:

Marechais, aqui, não são propriamente pessoas; os únicos fardados desta história são porteiros de boates e ascensoristas, que no geral não pretendem modificar os destinos do mundo. Vocês irão encontrar os referidos marechais dentro duma arca.

Arca, todos sabem, é um recipiente de tamanho invariavelmente incômodo, feito para ser velho, onde se guardam valores, lembranças puídas e sustos egressos de outras épocas. Jamais inventaram embalagem melhor para o fantástico. No caso - entre estas capas - a arca está sempre oculta, como a maioria que a ficção produz, e cheia até a tampa dessa coisa boa, que Deus esqueceu de inventar, chamada dinheiro.

Sempre quis escrever uma espécie de fábula sobre um homem que tinha uma "guitarra" e aí está. Possuir esse maravilhoso instrumento é sonho que todos já levaram para a cama, com exceção dos ricos - não por motivos morais. Mas, para ter graça, o personagem teria de ser honesto: sem passagem pela polícia ou multa de trânsito. Pessoa normal, que nem mesmo carregasse o hábito neurótico de roer as unhas. Depois sim, delinqüe, mas já marcando a época da regeneração: a que enfim tivesse consumido o conteúdo da arca.

Observou alguém, lendo o livro nos originais, serem os marechais apenas símbolo ou camuflagem de outras falsidades circulantes neste mundo. Teceu algum comentário a respeito do sortimento de máscaras e disfarce que usamos para sobreviver, além das mentiras cotidianas que temos de fazer passar. E acabou quase me convencendo que A Arca dos Marechais é também ou principalmente um mural da solidão humana na era do rock e da computação.

Não discordei de nada. Sempre é bom que acrescentem intenções a um trabalho de ficção. 

Marcos Rey
quarta-feira, 18 de março de 2015
Título: Malditos Paulistas
Autor: Marcos Rey
Editora: Companhia das Letras 
Ano: 2003
Comprar: Nos seguintes sites: Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha 


Resenha:

O que se espera de uma autor que faleceu em 1999, aos 74 anos, que teve suas cinzas espalhadas pela cidade de São Paulo por um helicóptero. Não há dúvidas que Marcos Rey, pseudônimo do paulistano Edmundo Donato, é "O" autor de São Paulo.

Praticamente quase todos os livros deste paulistano, não deixam de ser uma homenagem a cidade. Em o Malditos Paulistas não é diferente. A ironia é que a história é narrada por um carioca.

Raul que sempre sonhou com um belo emprego público, mas infelizmente não tem nem ginásio completo, apadrinhamento ou cartuchos para realizar o sonho. Com a falta de um emprego estável, ele já foi taxista, motorista de ônibus escolar, salva-vidas em Ipanema e cabo eleitoral.

Quando se muda para São Paulo, enquanto se ambienta a nova realidade, trabalhou numa casa de jogos eletrônicos. Até que surge uma vaga como motorista particular de um empresário italiano que mora no Morumbi.

É neste momento que nosso anti-herói vai começar a maior aventura de sua vida. Cheia de peripécias amorosas e investigações a respeito dos negócios escusos de seu patrão.

RECOMENDADÍSSIMO!!!



Contra Capa:

Por cinco salários mínimos mensais e um quarto de dormir, o carioca Raul torna-se motorista dos Paleardi, clã italiano com respeitável trajetória na indústria paulista que acaba de entrar no ramo de "comprar e vender". Misteriosos e idiossincráticos, deslizando pela cidade a bordo de carrões cinematográficos, os patrões deixam o novo motorista num misto de entusiasmo e desconfiança.

São belas, as mulheres que circulam pela Mansione Paleardi, a começar pela empregada Lucélia, com seus atributos físicos dignos de um "outdoor do Biotônico Fontoura". Terreno perigoso para um sedutor incorrigível como Raul. Os obscuros negócios que são fechados à beira da piscina, regados com gim-tônica e altas doses de ironia, também vão chamar a atenção do carioca, além de lhe causar alguns transtornos.

O humor está em cada página deste romance, e vai dosado nas suas mais diferentes tonalidades: sarcasmo, absurdo, galhofa, mordacidade, picardia, histrionismo ou a diversão mais descompromissada - marcas indefectíveis de Marcos Rey e seu notável talento para contar boas histórias.



Sinopse:

Um carioca malandro tenta a vida como motorista de bacana em São Paulo e, num dia o Alfa Romeo, noutro dia uma Bugatti, troca também de mulheres enquanto decifra o que o patrão trafica dentro da barriga de marionetes vestidas de Carmen Miranda. Eis o mote de Malditos paulistas. Marcos Rey foi o mais completo tradutor em prosa do que é ser paulista, viver em São Paulo - é dar graças a Deus, com espírito é bom humor, por tamanha felicidade. É ficção pura, mas com forte pulsação de vida. Você já viu essa gente e esses lugares. " Realismo crítico", rotularam alguns sabichões. Pode ser.

Malditos paulistas, como toda a obra de Marcos Rey, vê o mundo a partir de seus marginais, mas não só daqueles que se encaixam no sentido policial do termo. Dessa vez, ele radicalizou. Por mais que grande parte das cenas transcorra dentro de uma mansão no Morumbi, são todos fracassados, golpistas, trapaceiros, infelizes tentando se dar bem, trocar de lado e passar para a margem certa da sorte. Um romance policial, mas no estilo Marcos Rey. Morre-se pouco. No lugar das balas, a arma é o humor. Calibre fino. Deixe a cabeça na frente, sem preconceitos.

Rey desenvolve um estilo único, que consegue ser popular, repleto do calão serelepe e coloquial das ruas, e ao mesmo tempo arquitetado nas manhãs de quem tem o mais sofisticado controle do ofício. Um mestre. Juntou crítica e povão na mesma platéia, um pulgueiro qualquer no Bexiga, e conciliou o prazer da diversão e da boa leitura. Malditos paulistas é exemplo de ponta desse talento.

Os personagens principais, serviçais do mafioso Duílio Paleardi, movimentam-se com diálogos curtos, cínicos, sempre com verbos apressados e cheios de vontade de chegar logo ao que interessa. E o que interessa aqui também é contar uma aventura atrás do broche azul com que o mafioso adorna suas mulheres. Literatura em imagens, disse outro sabichão. O.k.

Marcos Rey descreve uma incrível cena de sexo na piscina do Morumbi entre o motorista Carioca e a vedete negra que Duílio tirou de um inferninho para lhe pendurar a tal jóia no peito. Logo em seguida, Rey guia para o sórdido ambiente de truques baixos nas biroscas de pôquer e 21 nas Docas de Santos. Mergulha-se no Guarujá. É uma viagem de estilo pela bendita paulicéia - e o motorista, o que dirige as palavras, não podia ser melhor. Pegue essa carona.


Joaquim Ferreira dos Santos

sexta-feira, 6 de março de 2015
Título: Memórias de um Gigolô 
Autor: Marcos Rey
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2003
Comprar: No seguinte site: Livraria Folha


Resenha:

Um dos meus autores preferidos, tanto na infância quanto agora na fase adulta. Apesar de que nunca vou amadurecer, vou ser eternamente uma criança. 

Marcos Rey foi um paulistano que soube como ninguém retratar a nossa São Paulo e sua gente.

Todos os texto de Marcos fluem com uma linguagem fácil e muito ritmo. O autor é direto, sem muito floreio. Texto repleto de ironia, senso crítico e com muito humor. Muitas vez nós pegamos rindo ou gargalhando durante a leitura.

Neste livro, os personagens são dinâmicos, envolventes, nos cativam na primeira aparição. Mariano, por exemplo, narrador da história, não esconde nada, deixa claro seus erros, suas fraquezas, suas mesquinharia é um personagem totalmente envolvente, engraçado e ao mesmo tempo terrível.

Apesar da história falar do mundo da prostituição, o livro não é pornográfico ou ofensivo. Há um certo lirismo, poesia e um final surpreendente.

Sem dúvida é um livro que vai te surpreender.

RECOMENDADÍSSIMO!!!



Contra Capa:

"Fazendo breve exame de consciência não posso me considerar um fracasso total" - é com essa confissão bem-humorada que Mariano, o herói deste romance, abre suas memórias. Criado pela cartomante Antonieta, Mariano era ainda um menino quando sua protetora morreu. Foi então adotado por Madame Iara, mulher elegante e bem relacionada, dona de um bordel de primeira classe. Começava aí uma promissora carreira de redator de bordéis que só seria interrompida para Mariano triunfar no boas-fondue paulistano do anos 30, já na condição de "rei da noite".

Esta é a crônica de uma cidade que morreu antes de ser conhecida de fato; uma São Paulo que destoa da imagem diurna e exuberante dos cartões-postais, e que resiste através da ficção. Nesta reconstrução literária dos tempos áureos da boemia, sobrevivem os tipos ordinários, as paixões lancinantes, as situações cômicas e os espaços esfumaçados - mas resiste, sobretudo, o prazer de escrever (e de ler) uma história bem contada, especialidade máxima de Marcos Rey. 
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Título: Soy Loco Por Ti, América!
Autor: Marcos Rey
Apresentação João Antônio 
Editora: Global 
Ano: 2005
Comprar: Nos seguintes sites: Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha


Resenha:

São sete contos que Marcos Rey coloca todo seu estilo, todo os seus marginais e seus particulares. E cada conto é dedicado a alguém, vamos aos contos:

A enguia
Para Walter George Durst

O crime perfeito, durante anos sem que ninguém desconfiasse. Até que o marginal tenta expressar sua bondade, sua solidariedade. Como diz o ditado: ...quando a esmola é demais o santo desconfia.


O locutor da madrugada
Para Beatriz Camargo Rocha Correa 

Mulher que sempre está sozinha e frustrada, sempre faz loucuras, sem medir as consequências. O problema é quando ela fica imaginando, sonhando. Mas quando dá de frente com a realidade, percebe que o sonho é mil vezes melhor.


O bar dos cento e tantos dias
Para Jair Bittencourt

O bar dos desocupados e desempregados. São todos amigos quando estão na pior, precisando de ajuda, mas quando um deles sai da lama, este esquece completamente os pobres coitados que ficaram no bar.


A escalação 
Para Lenita Miranda de Figueiredo

Nojento. Simplesmente não tenho estômago para um grupo de pseudo-intelectuais, que fazem qualquer coisa para ficar diante dos holofotes, pra serem as celebridades da vez. 


O adhemarista 
Para Pedro Berilacqua

Os fanáticos são um perigo constante para humanidade. Pior quando estes estão ligados à política. Fico escandalizada como essas pessoas perdem o bom senso, a noção da realidade, a cabeça e a razão.


Primeira epístola aos difamadores
Para Paulo Bento Nogueira

Amigo traidor, safado! Mas o pior de tudo é a covardia da pessoa, como consegue? Não consegue enxergar seus erros, acredita que tudo que faz é com boas intenções. Como diz o ditado: ...de boas intenções o inferno está cheio.

Soy loco por ti, América!
Com música de Gilberto Gil, 
interpretada por Caetano Veloso

Uma festa, com muito álcool e éter, só poderia dar numa série de conflitos. Como diz o autor: ...conflitos orais e musculares, oriundos de choques e entrechoques de idéias ou consequências de antigas ou instantâneas antipatias...



Contra Capa:

Retratista da cidade de São Paulo e de toda uma época, Marcos Rey registra em sua obra os elementos humanos e culturais que moldam o próprio país.

Em Soy loco por ti, América! Ele resgata personagens de um tempo que estava chegando ao fim e exercita o humor, que diz ter aprendido com Machado de Assis: "Todo drama tem de ter uma boa dose de humor, a melhor forma de apresentar uma crítica".

São sete contos em que o autor, com seu estilo vigoroso, nos apresenta um quadro sem retoques da sobrevivência humana: "dessa máquina de moer gente ninguém sairá inteiro".



Sinopse:

"(...) Nas sete histórias de Soy loco por ti, America!, a temática é o capitalismo selvagem de nossas grandes capitais. E que não deram certo - sujeitas a um 'desenvolvimento' forçado, apressado e imediatista, sem nenhum tempo de defasagem e, muito menos, de preparação humana. O caleidoscópio de Marcos Rey reflete uma feira de ilusões, e necessidades, atropelada pelo ritmo de seus problemas. Logo, insuportável e neurotizante: dessa máquina de moer gente ninguém sairá inteiro, sejam falsários, radialistas da madrugada, esposas mal-amadas, publicitários ou escribas mambembes, atores, atrizes e diretores, cabos eleitorais ou motoristas de táxi, prostitutas ou cafetinas, ricos, pobres, dependentes e pingentes urbanos e até os alegres rapazes e menininhas em flor pré-64, da lamentável esquerda-festiva-etílico-lítero-perfumada-musical. Uma qualidade apreciável acompanha esse conteúdo fecundo - despojamento completo. Sequer há truncarem ou golpes de estilo e pesar de que, Marcos Rey, sustenta-se como um dos autores de maior fabulação entre os que escrevem sobre sobrevivência urbana nos dias que correm."

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