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quarta-feira, 4 de maio de 2016
09:43
| Postado por
Adriana de Jesus Fogaça
Título original: A Volta de Ubaldo, o Paranoico: Uma antologia histórica
Autor: Henfil
Editora: Geração
Ano: 1994
Comprar: Nos seguintes sites: Amazon, Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha
Resenha:
Sou fã incondicional do Henfil, acredito que ele foi o maior gênio criativo que nasceu neste país, que infelizmente não varioliza nada e ninguém. Para quem não sabe Henfil era mineiro e morreu com apenas 43 anos em decorrência de uma transfusão de sangue onde contraiu o vírus da AIDS (tudo devido sua hemofilia). Antes desta tragédia, Henfil foi um dos maiores cartunistas e quadrinista do Brasil, além é claro de ser um excelente jornalista e escritor.
Para as pessoas, sem memória, que pedem a volta dos militares nas manifestações, as mesmas deveriam observar toda a obra do Henfil para ter uma ideia de como aquele período representou para nossa população e para a liberdade individual e coletiva. A ditadura militar foi um momento horrível de nossa história no século passado e Henfil ficou marcado por sua atuação nos movimentos sociais e políticos. Sim, foi um homem que passou a vida toda lutando e defendendo o fim do regime ditatorial.
O que dói é perceber que toda as pessoas que lutaram e morreram para por fim a ditadura militar, hoje tem suas memórias desrespeitada por um bando de ignorante, sem cultura politica e social. Sem mencionar a traição de alguns, que diziam lutar pela igualdade, para o bem comum, e hoje são os corruptos da esquerda brasileira. Isso só foi uma breve noção de quem foi Henfil, ainda pretendo ler sua biografia para compreender esse gênio.
“A Volta de Ubaldo, o paranoico: Uma antologia histórica”, é o medo do personagem principal e de muitos leitores, na época, do retorno do regime militar, um regime de exclusão, onde os direitos civis eram descartados como se nenhum ser tivesse direto a nada, imagine essa garotada de hoje enfrentando os militares? O Ubaldo temia muito mais que tudo a famosa “Abertura” (fim do regime e início da liberdade política) fosse um armadilha do regime, por isso toda a paranoia do personagem.
É obvio que na maioria das vezes o texto pode estar datado, mas é de suma importância ter um um olhar sobre Ubaldo e analisar aquele período com muita atenção, para que não voltemos 40 anos atrás, pois o personagem foi criado em 1975.
RECOMENDADÍSSIMO!!!!
Contra Capa:
“Morro, mas meu desenho fica”
Henfil
Sinopse:
Paranoia
necessária
Ubaldo, o Paranoico, esta fantástica criação do grande Henfil, é o retrato tragicômico de uma era de experiências amargas, que um dia fomos obrigados a viver e devemos renegar com todas as forças, sempre.
É importante refletir sobre este personagem. A democracia ainda está se consolidando no Brasil e ninguém quer a volta do autoritarismo e os desvios que ele resultam: o desrespeito aos direitos humanos, as prisões arbitrárias, a tortura, a eliminação física dos adversários. (*Este paragrafo te lembra o quê? Situações que nos foram relatados pelos noticiários de Tv, o caso Amarildo ou aquela mãe que foi arrastada pelo o carro da policia numa favela no Rio de Janeiro. Gente, isso porque estamos em 2016 e vivemos numa democracia, segundo consta vivemos num estado de liberdade de direitos e deveres. Se isso acontece num regime democrático, imagine se voltarmos regime militar? Povo de Deus, pense, analise e reflita!!!)
Neste tempo de mudança em nosso país, é preciso lembrar que a prática de tortura e do assassinato de adversários não é ou foi hábito apenas da CIA ou dos militares golpistas latinos americanos ou asiáticos. A barbárie, infelizmente, é um traço cultural da humanidade desde que o homem organizou-se em Estado e passou a se enfrentar por riquezas.
Os hunos e os maias, os romanos e os romenos, os vikings e os normandos, os mouros e os cruzados, os mongóis e os afegãos, os portugueses e os espanhóis, os índios, os nazistas e os stalinistas, entre outros representantes de nossa espécie, torturavam e matavam seus adversários com requintes de violência, do escalpelamento ao empalamento, do garrote vil à fogueira, da cruz à câmara de gás, do tormento chinês pela água ao choque elétrico.
Ubaldo, o Paranoico, é a vítima arquetípica dessa barbárie. Ele tem um medo ancestral de ser preso. De desaparecer misteriosamente. De ser torturado. De ser morto. O humor negro que sai desses traços, apesar de irremediavelmente datado, em algumas das cenas, é vital para que possamos refletir sobre nosso passado, nosso presente e nossa possibilidade de futuro.
Henfil - que também era paranoico, além de hemofílico - morreu contaminado pela Aids, contraída em transfusão de sangue. Era um intelectual de esquerda, eleitor e militante fanático do PT. (*Imagino como Henfil reagiria com a transformação do PT hoje.) Embora tivesse traços de ternura, quem o conheceu de perto sabe o quanto ele podia ser também injusto, cruel e autoritário. (*Querido, ninguém é perfeito, quando pisam nos meus dedos também sei ser extremamente cruel.)
Foi, no entanto, um grande criador de nossa cultura. O criador do Fradim, da Graúna e de Ubaldo merece ser lembrado não só pela qualidade universalmente premiada de seu traço, mas também pelo que representa de alerta, de advertência. É por isso que a Geração Editorial vem publicando a coleção completa de seus personagens.
O ser humano é grandioso e mesquinho, quase sempre contraditório. Pode ser, como Cristo ou Marx, anunciador de grandes ideias transformadoras. Em nome delas, pode-se condenar outros seres humanos à morte pela espada ou pela fogueira. Pelo exílio na Sibéria ou pela cremação nos fornos. Pela tortura nos porões do Doi-Codi ou pelo lançamento de corpos no mar.
Vivemos tempos difíceis. É importante que nossa paranoia esteja alerta no ponto certo. Aquele ponto que nos leva a lutar sempre que necessário, pela preservação, pelo menos, de nosso direito de continuar vivos enquanto discordamos daqueles que, pela usurpação, mas também pelo voto, julgam-se no direito de nos eliminar.
Luiz Fernando Emediato
Editor
Recado:
Ivan Cosenza de Souza
Ubaldo, o paranoico está de volta. E a nossa paranoia, voltou ou continua a mesma?
Neste livro você verá a volta de um personagem excessivamente paranoico, que tem medo de falar, de cantar, de sair na rua, de rir, de discutir. Qualquer coisa que fizesse, implicaria em risco de vida. Meu pai conta isso com seu humor de uma maneira exagerada e totalmente irreal.
Mas será mesmo exagero? Quantas milhares de pessoas foram presas, torturadas, mortas ou simplesmente desapareceram, naqueles tempos? Quantos amigos do tio do vizinho de um irmão de um estudante que não participava da UNE foram presos sem entender porque estavam sendo acusados de serem comunistas ou algo assim? Quantos foram para a cadeia por falar “sou contra”? E quantos morreram por escrever isto?
É, parecia exagerado, mas na verdade o humor que meu pai põe nestes desenhos não faz mais do que amaciar os fatos acontecidos aqui no Brasil, há muito pouco tempo.
Este personagem foi criado em parceria com um grande amigo dele chamado Tárik de Souza, que aceitou nosso convite para fazer a abertura deste livro. Divirtam-se com a leitura, mas não riam muito. Tomem muito cuidado!!!
Rio de Janeiro, dezembro de 1993
Apresentação:
O Parto de Ubaldo,
o Paranoico que Virou Legião
Tarik de Souza
“ O Brasil é a prova de sanidade que o paranoico pode esfregar na cara de seu psicanalista. O paranoico vê um sentido por trás de cada fato. E o sentido nunca é bom, O conjunto de faros e sentidos o persegue, o oprime. Aqui, nenhum fato é isolado, nada é desprovido de mau sentido, toda teoria conspiratória é verdadeira”.
Escritas pelo arguto amigo Arthur Dapieve em sua coluna em O Globo, de 9 de outubro de 1993, estas observações poderiam servir de epígrafe à história do personagem Ubaldo, o paranoico, que Henfil e eu bolamos num fim de semana macabro de 1975. Se o artigo de Dapieve se refere à cadeia de cumplicidade que alinhava as recentes chacinas cariocas ao tráfico de drogas, PC Farias, mais a hecatombe política de F. Collor, o nosso Ubaldo nasceu num clima ainda mais intrigantemente paranoico, porque encoberto pela névoa densa da ditadura.
Tão espessa era a bruma que toda uma geração - a minha e do Henfil - imaginou que era só remover o entulho autoritário que apareceria um país limpim (como diria o mano em seu dialeto mineiro) novo em folha. Pronto para fazer vicejar a tenra plantinha da democracia, de que falava o velho socialista Otávio Mangabeira. Mas qual o quê, uai. Cadê a plantinha, se a cadeia só é feita pra gente pobre?!
Mesmo que o tempo continue parado neste paraíso impune, voltemos ao pretérito ainda não preterido. Fiquei amigo e depois irmão do Henfil (com licença do Chico Mário, do Bentinho e dos outros e outras verdadeiros da grande família Souza) na época áurea do Pasquim. Nos conhecemos num festival de música (ambos jurados; mais ainda não de morte) em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santos.
Descobrimos afinidades sonoras que logo passaram para a política e a amizade. Tinha colaborado com algumas edições do chamado período da “gripe” do Pasquim, quando boa parte da redação foi em cana e passei, a convite do Henfil e do Jaguar, a escrever com regularidade num jornal onde eu praticamente só tinha ídolos. Henfil era um deles, até por meu interesse por quadrinhos. Seu desenho de sínteses rápida era a modernidade. E - não apenas a charge - o quadrinho brasileiro deu um salto em altura com o aparecimento de seu trabalho.
Bão, como ele diria, chega de confétis e vamos aos fatos. Até porque quem o conheceu sabe que a convivência com Henfil nunca era pacífica. Ele vivia provocando os amigos naquele clima de guerra pessoal que travava contra a hemofilia. Gostava de cutucar as feridas próximas para ver se movia os comodismos. Ambos nos acusávamos de paranoicos - e não faltavam razões de todas as ordens para que estivéssemos certos. Aos que viverem depois de nós, lembrem-se ao menos do tempo sombrio com que nos defrontamos, diria o velho Bertolt Brecht. E o ambiente de perseguição política facilitava a trama de receios pessoais e transferíveis. Até que resolvemos transformar num personagem de papel e traço essas inquietações comuns. Naquele tempo, os arrastões eram feitos pelos militares, que já manifestavam preferencia tétrica por finais de semana. Muitos amigos desapareceram assim.
Geralmente algum presságio nos avisava deste clima e - quando podíamos - caíamos fora antes. Lembro-me que tomamos a rota de Arraial do Cabo, na região dos Lagos. Peguei minha amigável garrafinha de uísque (o Henfil não bebia por causa da saúde) e nos mandamos com família & tralha, não sem antes passar na casa de um amigo em Laranjeiras. Soubemos que seu nome tinha sido citado numa sessão de interrogatório sob tortura. Era bom que ele sumisse antes que fosse sumido. O personagem paranoico, que já estava esqueletado, apareceu de corpo inteiro no papo, ainda durante a viagem. E, numa curva da estrada que não era de Santos, sei lá porque, achei que ele deveria chamar-se Ubaldo.
Fim de semana na praia, personagem pronto até com algumas textos que imaginei para situações iniciais desenhadas por Henfil, voltamos ao Rio na segunda-feira, pela amanhã. Paramos numa banca para comprar um jornal, que, mesmo sob censura, trazia a notícia devastadora. A paranoia do nosso Ubaldo tinha carimbado seu fundamento real, como no texto recente de Dapieve. Preso na sexta à noite, morrera sob tortura, em São Paulo, o nosso amigo jornalista Vlado Herzog. A parceria individualista de dois atormentados virava legião.
* são colações pertinentes, pois mostra que o tempo parece não passar...
terça-feira, 27 de outubro de 2015
06:33
| Postado por
Adriana de Jesus Fogaça
Título: Hiroshima: Meu Humor
Autor: Henfil
Editora: Geração
Ano: 1994
Comprar: Nos seguintes sites: Amazon, Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura, Livraria Folha
Resenha:
Henfil como sempre genial, neste livro podemos nos deliciar com humor crítico que é uma característica marcante nos quadrinhos do cartunista.
Este livro reúne as charges do ano de 1965. Ano que o autor foi agraciado com o prêmio "CID" como melhor chargista mineiro.
Os assuntos são variados como: Guerra no Vietnã e Outras Guerras, Datas Comemorativas do Calendário, Segurança Pública, Futebol, Concílio, Ku-Klux-Klan, Astronautas, Animais, Políticos, Lacerda, Morte, entre outros assuntos.
Tudo com muito humor e uma saudade dolorida deste mineiro maravilhoso.
RECOMENDADÍSSIMO!!
Contra Capa:
"Morro, mas meu desenho fica"
-Henfil
Sinopse:
História
resgatada
A imprensa brasileira, como nenhuma outra, dá inusitada importância às efemérides, comemorações e datas redondas. Dez anos disso, vinte daquilo, cinquenta daquilo outro. Estranhamente, quase ninguém se lembrou dos 50 anos do Henfil. Talvez porque lembrar sua estúpida morte seja um incômodo para qualquer um de nós. Talvez porque não queiram, mesmo. Talvez porque estamos esquecendo tudo.
Henfil teria completado 50 anos em 1994, se não tivesse sido assassinado pela incompetência de nossos governantes, que levaram à saúde pública do Brasil ao caos. Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue, num desses matadouros que ainda chamamos, não se sabe por que, de hospitais.
Sua morte causou indignação, mas semanas depois ninguém falava mais disso. É outra praga de nossa cultura: brasileiro não tem memória, ou esquece tudo muito rápido. É doloroso admitir que Henfil está sendo esquecido. Enquanto foi vivo, este notável artista incursionou não só pelos quadrinhos críticos - seu ponto mais forte - mas também pela literatura, teatro, cinema e televisão.
A Geração Editorial, que está reeditando seus trabalhos clássicos - Fradim, Graúna, Ubaldo, o Paranóico - quer, com isso, manter viva a memória e a arte do grande Henfil.
Estamos meio solitários em nosso intento. Que coisa estranha: salvo Carlito Maia, que um dia comparou Henfil a Jesus Cristo, num evidente (e comovente) exagero, os muitos amigos de Henfil parece que não gostam de lembrar dele.
Não tem importância: seguimos com nosso projeto e estamos relançando agora este "Hiroshima, meu Humor", o livro de estréia de Henfil. É espantoso descobrir que, assim com Fradim, Graúna e Ubaldo, também este livro pode ser lido sem que pareça irremediavelmente datado.
Tem quase 30 anos e remete-se a fatos que parecem superados: o golpe de 64, a Guerra do Vietnã, o surgimento da pílula anticoncepcional, o comunismo e o anticomunismo, e por aí vai.
A leitura de "Hiroshima, meu Humor" é mais saborosa para quem viveu aqueles tempos, mas também a nova geração - esta que já vê os anos 60 e 70 como passado quase distante - pode deleitar-se com estes traços e estas palavras cortantes, está ironia fina, essa compaixão na própria crueldade, digamos assim, com que se contempla alguns fatos de nossa história.
"Hiroshima, meu Humor", não é só mais um livro antigo que se reedita. É algo precioso que se resgata do passado não como uma relíquia, uma homenagem a alguém que admiramos ou coisa parecida. É História. Pura História.
-Luiz Fernando Emediato
Editor
sábado, 22 de agosto de 2015
14:02
| Postado por
Adriana de Jesus Fogaça
Título: A Volta do Fradim: Uma Antologia Histórica
Autor: Henfil
Seleção de Nilson
Editora: Geração
Ano: 1993
Comprar: Nos seguintes sites: Amazon, Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha
Resenha:
Há coisas que acontecem no Brasil que não consigo entender. Por exemplo, o Henfil que foi sem sombra de dúvidas um gênio na sua arte. Enquanto em outro país, este artista seria mega ovacionado, teríamos livros, revistas e filmes sobre sua obra é vida. Aqui no seu país é completamente esquecido. Sem mencionar que em outro país provavelmente não teria morrido em consequências de ser hemofílico (Henfil e seu irmão Betinho contrariam AIDS em uma transfusão de sangue)
Mas aqui neste país de Terceiro Mundo (não me venha dizer o contrário, ainda temos sérios problemas e o governo do PT máscara nossa real situação), Henfil é praticamente desconhecido pelas novas gerações. Tive a sorte de sempre ser ratinha de bibliotecas e sebos, e da editora Geração relançar na década de 90, alguns livros do autor, foi assim pude conhecer o cartunista em primeiro lugar. E anos depois os livros "reportagens" como "Henfil na China" e "Diário de um cucaracha", não foi um cartunista que encontrei nestes livros e sim um jornalista, um repórter e principalmente um investigador.
O que quero dizer com tudo isto, é que não podemos classificá-lo apenas como um genial cartunista, mas, um homem que sabia como ninguém observar o mundo e as pessoas a sua volta.
"A Volta do Fradim" são sem dúvida as melhores tirinhas do Henfil. Este livro apresenta os "Dois Fradinhos" que são duas personalidades em conflito constante. O frade Cumprido, como dizem por aí: representa o que é careta, carola e conservador. Já o Baixinho é revolucionário, anarquista e utópico.
Ao ler às tirinhas você vai conseguir observar o período que elas se inserem, mas também vai concluir que pouca coisa mudou no Brasil, infelizmente. Tenho pra mim que Henfil estaria muito decepcionado com a nossa política atual.
Deixando de lado a política, você vai se esbaldar com essas tirinhas espirituosas e com as críticas descaradas, mas tudo isso com muito bom-humor!
RECOMENDADÍSSIMO!!!
Contra Capa:
"Morro, mas meu desenho fica"
Henfil
Sinopse:
A vida às vezes nos prega peças amargas. Henfil já estava condenado à morte por causa da Aids - que contraiu devido a uma transfusão de sangue - quando nós o convidamos para trabalhar conosco no Caderno 2 do Estado de S. Paulo, do qual eu era editor, em 1986. Henfil era o mais importante cartunista e humorista brasileiro da época, e ainda estava sendo muito patrulhado, pela direita e pela esquerda, por não ter aderido ao complô que elegeu Tancredo Neves para presidência da República.
Tínhamos vivido na mesma triste e pobre cidade de Minas - Bocaiúva, no miserável Vale do Jequitinhonha - e trabalhado no mesmo jornal de resistência à ditadura militar - o velho Pasquim - mas, por incrível que possa parecer, não nos conhecíamos pessoalmente. Tínhamos uma grande antipatia um pelo outro, embora eu admirasse o trabalho dele e fôssemos muito parecidos, no nosso radicalismo e na nossa cruel intolerância em relação aos nossos adversários. Uma luta política estéril é completamente sem sentido nos tinha separado.
Éramos - tanto ele quanto eu - extremistas radicais e apaixonados: defendíamos com unhas e dentes nossas frágeis verdades. Mas aprendemos a gostar um do outro no convívio que se estabeleceu desde então, no Caderno 2. Livre outra vez para criar, Henfil de certa forma ressuscitava para o público. Creio que ele nunca teve tanta liberdade. Acho que foi feliz.
Ele já estava condenado à morte quando começou trabalhar conosco, mas era surpreendente sua energia, sua vontade de transformar o mundo. Estava já muito abatido pela doença, mas parecia mais humano, mais doce, mais tolerante com as pessoas. Henfil morreu sem perdoas aqueles que traíram o movimento das Diretas Já, mas já não era o intelectual agressivo e cruel que chegará a "matar" a cantora Elis Regina só porque ela havia cantado na abertura da Olimpíadas do Exército, durante a ditadura.
No final da vida, ironia do destino, foram jornais conservadores - O Estadão e O Globo - que garantiram emprego e sobrevivência para esse grande artista. Quando já não tinha forças para o trabalho diário, pediu - e obteve - permissão para publicar as antigas historias da Graúna, de Zeferino e do Bode Orelana na página de quadrinhos. A história da incrível Graúna (que Geração Editora também vai publicar) saiu no Estadão até o dia da morte de Henfil. Quem acompanhou pôde perceber uma trágica realidade: o Brasil da Graúna era o Brasil de Médici, Geisel e Figueiredo - mas era também o Brasil de José Sarney, assim como poderia ser o de Fernando Collor.
Ai de nós: quem ler estas histórias do Fradim, velhas de mais de 20 anos, vai descobrir que ainda retratam nosso pobre país. Um país que assassina a lucidez e a independência e premia o corrupto, o incompetente, o que se curva a se vende. O país em que os grandes ladrões não são punidos.
Reler, ou, para as novas gerações, descobrir Henfil e seus personagens é um exercício de cidadania. Este A Volta do Fradim é o primeiro volume de uma série que Geração Editora pretende publicar, para resgatar a obra eterna desse grande brasileiro que foi Henfil. Ele foi exemplo de dignidade, coerência e força humana. Ele foi - na pureza dura e paradoxalmente firme de seu traço frágil, mas cortante - um criador. Um patriota. Um lutador.
Luiz Fernando Emediato
quarta-feira, 8 de julho de 2015
19:20
| Postado por
Adriana de Jesus Fogaça
Título: A Volta da Graúna
Autor: Henfil
Prefácio de Ivan Cosenza de Souza
Apresentação Ziraldo Alves Pinto
Editora: Geração Editorial
Ano: 2003
Comprar: Nos seguintes sites: Americanas, Submarino, Livraria Saraiva, Livraria Cultura e Livraria Folha
Resenha:
Para quem gosta de quadrinho, tem que conhecer a obra deste cartunista simplesmente fantástico que é o Henfil.
Além dos quadrinhos, Henfil escreveu artigos ("Cartas da Mãe"), livros ("Diário de um Cucaracha", "Henfil na China"), teatro, TV e cinema.
Neste livro vamos rever as aventuras de um trio de personagens da caatinga: a Graúna, o bode Francisco Orelana e o cangaceiro Zeferino. De primeiro já se percebe que as historinhas se passam no Nordeste com um sol escaldante e que o coronelismo ainda está presente, tentando impedir que seu povo de viver e ser feliz.
Zeferino é o líder do trio. O pode Orelana (...um explorador do rio Amazonas e herói do imaginário sul-americano... nas palavras do também cartunista Spacca) que devora livros. Já a Graúna é um passarinho negro com uma barriguinha redonda, dois pauzinhos como perninhas, um rabinho é um pauzinho na horizontal como pico que segura os olhos. Parece um desenho de criança, mas um dos personagens mais complexo e divertido que já li.
Graúna é cheia de facetas, é tudo ao mesmo tempo agora. Há momentos que ela é ingênua, mas logo mostra sua esperteza. Depois, parece doce e infantil, mas acaba se mostrando sensual.
No prefácio o Ivan, filho do Henfil, da uma dica: - "A Graúna pode ser lida por crianças, que se apaixonaram por sua parte rebelde, mesmo sem entender o teor político de sua atuação...". É um livro para todos sem exceção.
RECOMENDADÍSSIMO!!!
Contra Capa:
"Morro, mas meu desenho fica"
Henfil
Sinopse:
A vida às vezes nos prega peças amargas. Henfil já estava condenado à morte por causa da Aids - que contraiu devido a uma transfusão de sangue - quando nós o convidamos para trabalhar conosco no Caderno 2 do Estado de S. Paulo, do qual eu era editor, em 1986. Henfil era o mais importante cartunista e humorista brasileiro da época, e ainda estava sendo muito patrulhado, pela direita e pela esquerda, por não ter aderido ao complô que elegeu Tancredo Neves para presidência da República.
Tínhamos vivido na mesma triste e pobre cidade de Minas - Bocaiúva, no miserável Vale do Jequitinhonha - e trabalhado no mesmo jornal de resistência à ditadura militar - o velho Pasquim - mas, por incrível que possa parecer, não nos conhecíamos pessoalmente. Tínhamos uma grande antipatia um pelo outro, embora eu admirasse o trabalho dele e fôssemos muito parecidos, no nosso radicalismo e na nossa cruel intolerância em relação aos nossos adversários. Uma luta política estéril é completamente sem sentido nos tinha separado.
Éramos - tanto ele quanto eu - extremistas radicais e apaixonados: defendíamos com unhas e dentes nossas frágeis verdades. Mas aprendemos a gostar um do outro no convívio que se estabeleceu desde então, no Caderno 2. Livre outra vez para criar, Henfil de certa forma ressuscitava para o público. Creio que ele nunca teve tanta liberdade. Acho que foi feliz.
Ele já estava condenado à morte quando começou trabalhar conosco, mas era surpreendente sua energia, sua vontade de transformar o mundo. Estava já muito abatido pela doença, mas parecia mais humano, mais doce, mais tolerante com as pessoas. Henfil morreu sem perdoas aqueles que traíram o movimento das Diretas Já, mas já não era o intelectual agressivo e cruel que chegará a "matar" a cantora Elis Regina só porque ela havia cantado na abertura da Olimpíadas do Exército, durante a ditadura.
No final da vida, ironia do destino, foram jornais conservadores - O Estadão e O Globo - que garantiram emprego e sobrevivência para esse grande artista. Quando já não tinha forças para o trabalho diário, pediu - e obteve - permissão para publicar as antigas historias da Graúna, de Zeferino e do Bode Orelana na página de quadrinhos. A história da incrível Graúna (que Geração Editora também vai publicar) saiu no Estadão até o dia da morte de Henfil. Quem acompanhou pôde perceber uma trágica realidade: o Brasil da Graúna era o Brasil de Médici, Geisel e Figueiredo - mas era também o Brasil de José Sarney, assim como poderia ser o de Fernando Collor.
Ai de nós: quem ler estas histórias do Fradim, velhas de mais de 20 anos, vai descobrir que ainda retratam nosso pobre país. Um país que assassina a lucidez e a independência e premia o corrupto, o incompetente, o que se curva a se vende. O país em que os grandes ladrões não são punidos.
Reler, ou, para as novas gerações, descobrir Henfil e seus personagens é um exercício de cidadania. Este A Volta do Fradim é o primeiro volume de uma série que Geração Editora pretende publicar, para resgatar a obra eterna desse grande brasileiro que foi Henfil. Ele foi exemplo de dignidade, coerência e força humana. Ele foi - na pureza dura e paradoxalmente firme de seu traço frágil, mas cortante - um criador. Um patriota. Um lutador.
-Luiz Fernando Emediato
Editor
terça-feira, 26 de maio de 2015
11:10
| Postado por
Adriana de Jesus Fogaça
Título: Cartas da Mãe
Autor: Henfil
Editora: Codecri
Ano: 1981
Comprar: Infelizmente só nos sebos.
Resenha:
Este livro é um lugar comum pra Henfil, pois, na realidade ele usa esse título para falar de tudo e sobre todos, usando esse tom íntimo, como aquele que fala com a mamãe. Desta forma, ele fala do período em que este nos Estados Unidos, crítica a ditadura e cobrava posições firmes das celebridades da época.
"Cartas da mãe" são crônicas no formato de cartas que foram publicadas na revista Isto É de 1977 à 1980. É uma aula de História, nada convencional, pelo contrário, com muita ironia, humor, inteligência e crítica.
Mesmo descobrindo suas obras quase 27 anos depois de sua morte, vale a pena ler Henfil. É muito triste que ele não esteja mais aqui, acredito que ele adoraria a nossa década. Além de rir um monte de polémica na internet. E nos faria rir muito com sua visão de mundo.
RECOMENDADÍSSIMO!!!
Sinopse:
Querido Orelhão,
Falar o nome de Geisel, só podia baixinho e entre amigos de infância. O "alemão" não perdoava. Tinha mil olhos, mil ouvidos e aquela postura de quem vai aplicar chineladas no primeiro que rir.
Se lembra? Então vou repetir a frase do Ivan Lessa, a mais repetida ultimamente: de 15 em 15 anos o brasileiro esquece os últimos 15 anos.
Boa, o que que você estava fazendo em 9 de março de 1977?
Eu estava morando em Natal (Rio Grande do Norte) e lia todo dia todos os jornais procurando pistas de abertura lenta, gradual e segura que o presidente Ernesto Geisel prometia, se a gente ficasse bem bonzinho. Aí, indicado pelo Hugo Estenssoro, ganhei do Mino Carta a última página da sua revista, Isto É, que ia virar semanal. "Faz o que você quiser, meu caro", disse o Mino.
Que que eu sabia fazer? Desenhar. E desenhei. Mas um amigo, Woden Madruga, encheu minha cabeça que eu tinha que escrever. "Escreve carta para sua mãe. A melhor coisa que você fazia no Pasquim eram aqueles bilhetinhos pra ela no meio das tiras do Fradim, com os retratinhos da família e tudo."
Ora, naquele tempo minha mãe morava no Rio e eu estava de fato com dificuldade pra matar a saudade dela e minha. Dona Maria já sofria com um filho, Betinho, exilado no Canadá, e agora outro tão longe, lá no nordeste.
Escrevi.
Timidamente. Só nas estrelinhas falando do governo. Sugerindo. Usava a linguagem dela, o jeitinho dela pra dizer as coisas. E a cada carta que publicava, esperava o aviso da censura. E a censura não vinha. É verdade que eu contava com o respeito que o retrato da mãe provocava. É como se eu estivesse escondido debaixo da saia da mãe. Tinham que passar por cima dela pra me pegar. E fui ousado, lenta e gradualmente. Como você poderá ver lendo a primeira carta, depois a segunda... até hoje.
Será pretensão minha dizer que, por estas cartas, publicadas na Isto É nos anos de 1977, 78, 79 e 80 é possível acompanhar a história do Brasil deste períodos? Pois sou assim pretensioso.
As cartas vivem o início da abertura, os apertos, os medos, a campanha pela anistia, os depoimentos no exílio do Betinho, as greves do ABC, os medos, a volta dos exilados, os apertos, 1977, 1978, 1979, 1980...
Voltando lá atrás. Aos poucos eu fui escrevendo o nome Geisel. Até ele acostumar e não achar que era desrespeito. Depois fui tomando liberdade pra sentar no colo dele, mexer nos bolsos dele. Quando ele viu, eu tinha pregado chicletes na cadeira dele. Aí, já era tarde. Aldir Blanc e João Bôscoli já cantavam pela voz da Elis: - Meu Brasil que sonha com a volta do irmão do Henfil...
Conclusão.
Primeiro: quem tem mãe não tem medo.
Segundo: se todo mundo falar que nem eu, como se EU tivesse feito a abertura, vamos acabar descobrindo que ninguém nos deu abertura nenhum - nós que conquistamos.
E tome que a mãe é sua também.
Henfil
São Paulo, 13 de novembro de 1980
(dia da reproclamação das eleições diretas pra governador)
À minha mãe, Maria da Conceição
Figueiredo Souza que, por ter gostado
muito de mim, me deu confiança pra
viver, me deu segurança pra me exibir.
Não tive medo de ser ridículo, não
tenho medo de morrer.
Porque fui amado.
São Paulo, 23 de setembro de 1980
Dona Maria,
Paz e Bem!
É a primeira carta que lhe escrevo, e esta mensagem, gostaria de transmiti-la a todas as mães, que acompanham seus filhos ao longo da vida, sem prendê-los a si.
O Henfil deve ter-lhe dado muito trabalho. Mas a senhora confiou nele, por saber que ele tem uma missão própria. De fato, ele ama o povo e se dedica de corpo e alma aos que querem ser gente livre, numa Terra que nasceu debaixo do sinal da Cruz, portanto, do sinal do Amor responsável.
Não tenho conhecimento do conteúdo das outras mensagens. Ao que parece, todas elas vão ser escritas por seu filho.
Sei que ele é malandro. Usa expressões que nem a senhora, nem eu usamos. Faz caricatura que podem enfurecer e divertir. Por vezes, podem dar pena.
Deve abordar assuntos que só ele sabe apresentar, daquele jeito é com aquelas minúcias de artista privilegiado.
O que a senhora sabe, também eu sei. Ele interpreta a vida com aquele sorriso que Deus teve ao criar o mundo e, dentro dele, o ser mais engraçado, que é o homem e a mulher, sobretudo quando este homem e esta mulher querem ocupar o lugar dos outros e, por vezes, do próprio Deus.
O Henfil é engraçado. Mas não é bobo. Bobos são aqueles que não entendem, e engraçada parece toda a História dos Homens, vista por ele. Por isso, peço que a senhora dê licença para mais esta peraltice. Se ele apanhar, ficamos do lado dele: a senhora e eu. Já houve Outro, que apanhou. E nós juramos que iríamos morrer por Ele, se necessário.
Parabéns pelo seu filho e por este novo netinho que ele lhe deu, o livro, que hoje começa a encontrar-se com o Brasil.
Com a melhor bênção,
Paulo Evaristo, CARDEAL ARNS
Marcadores:2015,Autor Brasileiro,Brasil,Cartas,Cartas da Mãe,Codecri,Crônicas,Henfil | 0
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sábado, 2 de maio de 2015
10:34
| Postado por
Adriana de Jesus Fogaça
Título: Henfil nas Eleições: ARENA USARÁ TRI NA CAMPANHA!
Autor: Henfil
Editora: Santuário
Ano: 1994
Comprar: Infelizmente só nos sebos.
Resenha:
O título já diz tudo, são charges sobre eleições. Irônicas, inteligentes e divertidas. Como tudo que o Henfil fez, por mais que o assunto seja sério, o humor está sempre presente. E nós agradecemos.
As charges são sobre eleitor indeciso; eleitor mecânico; eleitor arrependido; eleitor de primeira vez; eleitor inconsciente; eleitor apertado; eleitor revoltado; eleitor de cabresto; eleitor do Amazonas; o horário eleitoral e eleições americanas.
Foi assim, desta forma que Henfil brincou e ao mesmo tempo conscientizou a todos com suas charges bem-humoradas, realistas e críticas.
RECOMENDADÍSSIMO!!!
Contra Capa:
"Você vai torcer
aí do Céu
e nós vamos votar
aqui na Terra
para ver se a democracia
funciona para melhorar
a vida de nossa gente."
Sinopse:
Rio de Janeiro, 26 de julho de 1994
Querido Henfil:
Desde que você se foi muitas coisas aconteceram por aqui. Umas boas ou ótimas e outras que a gente fica com vergonha de ser brasileiro.
A miséria continua, mas a solidariedade se manifestou de forma surpreendente. Um terço da sociedade brasileira participa da Ação da Cidadania de alguma forma! É muita gente! Morrem crianças de fome em toda parte, as da rua continuam dormindo debaixo das marquises. A Graúna passou uma fome danada lá no Nordeste, quase morreu de sede e de revolta. Ficou brava. O Bode Orelana comeu grama seca e ficou uma fera. O Baixinho tem mania de gritar "Assalto!" na entrada do Túnel Rebouças e o Cumprido foi acusado pela esquerda de pregador da utopia. Eles estão sentindo sua falta.
Tem gente aqui que vive com medo de assalto, de seqüestro, da violência, mas continua naquela boa vida se lixando para o que acontece com os outros. Mas tem muita gente que dá duro para viver e inventa mil formas de ser brasileiro, apesar de tudo.
Ganhamos o Tetra e o Brasil virou uma loucura de alegria. E foi aí que a gente resolveu convocá-lo. Afinal, você já deve ter descansado demais aí no Céu, comendo maná e contando piadas para os anjos. O Ivan escolheu as charges, a Casa do Hemofílico teve a idéia, e a Ação da Cidadania entrou no pedaço. Todo o dinheiro deste livro vai para a Campanha Contra a Fome e a Miséria.
Você vai torcer aí do Céu e nós vamos votar aqui na Terra para ver se a democracia funciona para melhorar a vida de nossa gente.
A família, agora menor com sua partida, do Chico e da Zilá, continua firme. Dona Maria anda bem esquecida das coisas e o resto está tudo bem. Todos mandam lembranças e sentem muitas saudades de você. Mas, pode ter certeza, um dia a gente se vê. Abraços para todos aí em cima.
Segue o seu exemplar com um abração do mano
Betinho
Unir o útil ao agradável. Era isso que meu pai gostava de fazer. Fazia o que gostava, é tão bem que vivia disso, mas também usava seu desenho para ajudar qualquer tipo de movimento que fosse justo, numa época diferente da atual, em que, na política, só existiam: situação (Arena), representando o governo militar, e oposição (MDB).
Neste livro, você também vai poder unir o útil ao agradável. Poderá ter alguns momentos de distração e diversão, e ainda estará colaborando com a campanha contra a fome.
Ivan Cosenza de Souza
sábado, 14 de março de 2015
08:28
| Postado por
Adriana de Jesus Fogaça
Título: Henfil na China: antes da Coca-Cola
Autor: Henfil
Editora: Codecri
Ano: 1981
Comprar: Infelizmente só nos sebos.
Resenha:
Lançado em 1978, este livro tinha por objetivo, relatar a visão, sempre bem humorada; do cartunista, jornalista, escritor e humorista Henfil.
A visão de uma China comunista, que até aquele momento, atendia os anseios de sua enorme população de 900 milhões de habitantes.
Tudo era muito simples, mas atendia as necessidades básica dos chineses, como: quarto, cama, comida, escola, medicina, trabalho, creche, luz, água, esgoto. Nenhum chinês vivia abaixo da linha da pobreza.
Qualquer coisa produzida na China, naquele período era para ser distribuído entre as pessoas, toda a população de 900 milhões. Era assim, ou todos têm ou ninguém tem.
Imagine o choque cultural que sofreu nosso Henfil, mesmo indo preparado para encontrar um povo completamente diferente, com personalidade própria. Mesmo assim, é um grande choque.
RECOMENDADÍSSIMO!!!
Contra Capa:
HENFIL
NA
CHINA
(antes da Coca-Cola)
Quem conhece Henfil como cartunista, vai ter uma surpresa. Ele se revela neste livro um repórter até então desconhecido. Com incrível capacidade para observar detalhes, Henfil escreve para a leitura fácil de qualquer pessoa como é este outro planeta chamado China.
"É como se a gente estivesse lá", foi o comentário geral de quem já leu esta reportagem. Tanto que as 99 ilustrações podem ser consideradas um luxo do autor.
Porém, mas do que isto, este livro mostra minuto a minuto ( sem brincadeira, Henfil anotou minuto a minuto) como um brasileiro reage ao choque cultural, político, social e humano de estar num mundo de bilhões de comunistas.
Vocês queriam que um texto de 4.a. capa dissesse o quê? Enfim, eu sou do cacete!
Henfil
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